A TEORIA DO CONHECIMENTO NA FILOSOFIA #5

Origem do conhecimento: Empirismo

O empirismo é uma corrente filosófica do conhecimento baseada na “experiência” e “experienciação” dos fatos. Não é oposto ao racionalismo e nem nega a razão, apenas quando esta “prega” verdades absolutas.

No dicionário filosófico a definição é a seguinte:


Corrente filosófica para a qual a experiência é critério ou norma da verdade. Em geral, essa corrente se caracteriza pelo seguinte: a negação do caráter absoluto da verdade ou, ao menos, da verdade acessível ao homem; reconhecimento de que toda verdade pode e deve ser posta à prova, logo eventualmente modificada, corrigida ou abandonada. (ABBAGNANO. pág. 326)

Ou seja, levando em consideração que a Teoria do Conhecimento é a relação entre sujeito e objeto, o empirismo trata dessa experiência e experienciação entre o sujeito e objeto, sendo que o auge dessa relação são as sensações ou os sentidos se preferirem.



Imagem Ilustrativa - Pixabay

O empirismo é muito confundido por vezes com o conhecimento teológico, explicarei o porquê. Geralmente as pessoas que possuem algum tipo de fé, confundem as reações químicas que ocorrem no corpo com fatos relacionados à sua crença e delegam isso a um fato empírico como forma de comprovação do ser divino da sua crença.

Exemplificando, a pessoa vai à Igreja e lá sente uma reação química no seu corpo, que pode ocorrer por diversos motivos, essa reação geralmente costuma ser denominada pelas pessoas como “sentir Deus”, o que serve para corroborar sua fé pra consigo mesma e com os outros. Mas isto nada mais é do que uma falsa sensação de empirismo, pois por mais que tenha sido um tipo de sensação, ela não pode e nem deve ser usada como meio de comprovação de seres divinos.

O empirismo é reconhecido por ser uma das bases para o conhecimento científico, já que a epistemologia se baseia nas percepções que o sujeito possui acerca do objeto, ou seja, a mesma visão empiricista.

Possui algumas vertentes e diversos autores, mas vou citar apenas duas delas e cada qual com o seu máximo expoente, o empirismo de John Locke e o empirismo cético de David Hume. De qualquer forma, mesmo que haja algum tipo de divergência entre as correntes, duas coisas nunca mudam, o conhecimento sintético possui sua origem na experiência e apenas é válido quando verificado por fatos.



O empirismo de John Locke (1632-1704)



Retrato de John Locke, por Sir Godfrey Kneller.
Source of Entry: Collection of Sir Robert Walpole, Houghton Hall, 1779. - Wikipedia


Quem nunca ouviu ou leu a respeito da teoria da tábula rasa? Nascemos como uma folha em branco, dizia Locke. Todo o nosso conhecimento é oriundo de experiências que nos chega através das sensações. Em seu livro “Ensaio Acerca do Entendimento Humano”, Locke rebate as ideias de Descartes acerca das ideias inatas e cria sua teoria do conhecimento.

A razão faz parte desse conjunto, é ela que nos dá o discernimento das coisas, ou objetos. Dentro de sua teoria, divide em duas as impressões que temos acerca de qualquer objeto, a primeira diz respeito as características do próprio objeto, volume, forma, extensão, entre outras. A segunda é como nós percebemos o objeto, sua cor, seu odor, sua textura e outros.


O empirismo cético de David Hume (1711-1776)



Retrato de David Hume (1711-1776) por Allan Ramsay (1713–1784) - Wikipedia


Se a teoria de Hume fosse a base da humanidade não existiria a ciência, não por ele negá-la, mas pelo fato de Hume propor que os fatos fossem sempre verificados mesmo que os resultados fossem sempre os mesmos, deveriam continuar a ser verificados, do contrário, levaria ao que chamava de hábito ou crença.

Suponhamos que diariamente você faça seu café e a água ferve todo dia a 100 °C e no dia seguinte se você esperar a água chegar a essa temperatura para ferver sem a comprovação empírica, você construirá um hábito ou uma crença, pois nada te garante que ela ferverá nessa temperatura, pode ser em uma maior ou menor.

Diante disso, ele tinha consciência de que a ciência não poderia trabalhar dessa forma, portanto ele difere a ciência e diz que ela pode possuir autonomia de “criar” crenças.

Nega a causalidade, ou seja, causa e efeito. Por crença o ser humano está habituado a construir crenças de que certas ações terão determinados efeitos. Usa até um exemplo do bilhar, por mais que estejamos habituados a crer que ao jogarmos a bolha branca contra outra ela causará um efeito nesta, se esse efeito realmente existir, nunca será igual às outras vezes.

Por fim, penso que tudo na vida deve ser experienciado antes de chegarmos a qualquer conclusão, sou um empirista e por muitas vezes um cético, mas é assim que evitamos os “achismos” aos quais já estamos acostumados, pois é inadmissível basear nosso conhecimento e premissas argumentativas no que “achamos” e não no que comprovamos através da experiência.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 5a Edição. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

Autor: Marcio Costa

Filósofo - Professor de Filosofia

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Editor: Matheus Guimarães Gomes Rangel- Médico - R3 Psiquiatria SMS Rio de Janeiro - CRM-RJ: 5295376-8