Resenhas de um eterno aprendiz…

"A ciência nos diz o que podemos conhecer, mas aquilo que podemos conhecer é pouco, e, se esquecemos quanto somos incapazes de saber, acabamos por nos tornar insensíveis a muito daquilo que possui enorme importância." - Bertrand Russell - História da filosofia ocidental - Livro 1

No Brasil ascende uma filosofia arcaica, primitiva, reverberando na cultura, e consequentemente nas áreas do saber. A atualidade experimenta uma difusão de ideias e pensamentos de forma extremamente acelerada, vazia, sem referências, com base em interpretações individuais aleatórias de correntes de pensamentos filosóficos, assim como também, interpretações de dados sem contexto, sem estudo sobre.

A imaginação está flor da pele. Vivemos o tempo da imagem, dos excessos, do prazer, da solidão, do medo, dos radicalismos nas ideias, e dos ideais longe de terem possibilidades de realização. Isso tudo é por demais angustiante a nossa espécie, ao nosso funcionamento como animais biológicos, escondido e perpetuado pelo falso prazer do mundo personalizável.

Toma-se o campo especulativo como real, mesmo campo do jogo das massas. Um jogo inundado de preconceitos e pressuposições, em concatenações lógicas coerentes, no entanto ao bel prazer do interpretador. E que são de fato, literalmente, muitas vezes alheios a realidade social.

É um viés da liberdade do pensamento. Cada um tem o direito, conquistado por nossos antecedentes, de articular e expressar ideias como forma de pensamento, em diversas linguagens. Há pouco tempo atrás não era assim, e não quer dizer que sempre será.

Quando olhamos a história do processo civilizatório ocidental, vemos o quão recente é esse direito. Isso é por demais interessante e promissor. Ao mesmo tempo nos coloca em trincheiras atualmente. A falta de limites, de ordem, de reconhecimento de outros, se esvai no radicalismo do pensamento liberal. Como C. Melman traz em O Homem Sem Gravidade.

Os paradoxos da existência humana, que sempre nos relembra a importância das perspectivas diferentes.

É importante ter em mente, que somos seres extremamente plásticos, moldáveis, mal sabemos sobre nós mesmos. Sabemos muito pouco do que existe, e se não assumirmos isso, e procuramos buscar saber, não somos melhores que os papagaios, repetindo, sem entender o sentido do que repetimos, como um telefone sem fio.

Quando temos a oportunidade de compreender nossa ignorância, e que também não é fácil, pelo contrário, é extremamente difícil, nos tornamos aptos a aprender sobre a gente, e sobre o mundo que vivemos. E assim nos tornamos um curioso, um aprendiz, um aluno.

Podemos ser melhor que ignorantes e selvagens, podemos usar nossos órgãos dos sentidos para além de suas funções, e exercitar o pensamento. Isso nos ajuda a interpretar o mundo de outra forma, com mais empatia e altruísmo. Ajuda a nos conhecer melhor, ajuda a distanciar o ódio, e nos apegarmos ao amor, e mais importante, controlar nossas paixões e não sermos controlados por elas.

Podemos coexistir melhor em sociedade. Podemos construir um futuro melhor para nossos descendentes. E a prova disso, é estarmos aqui, em liberdade, discutindo sobre nossas concepções, em tecnologias desenvolvidas através do conhecimento humano. Nossa espécie criou a epistemologia e ciência. Criou inúmeras tecnologias. Criou formas de construir, não apenas destruir. Podemos buscar coexistir em nossas diferenças, como seres civilizados, ou nos entregarmos a barbárie como muitas dessas atrocidades que ainda vemos nos dias de hoje.

E nas minhas resenhas imaginárias, discorrerei sobre os mais diversos autores e histórias de minha referência para quem for curioso, e acredito que tenham muitos como eu, eternos aprendizes.



Autor: Matheus Guimarães Gomes Rangel - Médico - R3 Psiquiatria SMS Rio de Janeiro - CRM-RJ: 5295376-8

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