Nossos dias estão contados? - Resenhas de um eterno aprendiz #2

Nessa narrativa sobre mito da cultura humana, iremos navegar em diferentes perspectivas. Começando com a visão antropológica do historiador Y. Harari, articulando magistralmente em Sapiens - Uma Breve História da Humanidade, como as narrativas históricas declararam “independência” da biologia há milhares de anos atrás, no que o mesmo chamou de Revolução Cognitiva.

Evento que culminou numa mudança do funcionamento do animal humano em seu meio, e a cultura passou a ditar a construção biológica também, a partir das intervenções humanas cada vez maiores no meio que experimenta, modificando e sendo modificado pelo ambiente que habita.

Foi onde o fenótipo, além das respostas biológicas ao meio físico, e por interações com outros organismos, passou a responder também à cultura, modificando gradativamento a expressão do genótipo humano, e de muitos organismos biológicos, até os tempos atuais.

Esse acúmulo de conhecimentos como forma de cultura, acontece há milhares de anos. O ocidente tem como alicerce dessa construção os lampejos inaugurais do pensamento clássico, tempo-espaço em que os animais humanos passaram a colocar o cognitivo como foco do exercício do pensar.

Estamos falando do periodo conhecido como Antiguidade. Mais especificamento sobre a Grécia Antiga, que abrange desde o Período Homérico dos séculos XII a IX a.C. até o fim da antiguidade (c. 600 dC). Foi um período de intensas transformações individuais e sociais. Civilizações surgiram e ruíram, deixando suas marcas até hoje na nossa sociedade.



Parthenon - Grécia Antiga - Site: Wikipedia

Todo conhecimento nasceu do místico, da natureza primitiva do animal humano, como narra S. Freud no texto Totem e Tabu. Eventualmente os seres humanos passaram a especular sobre a natureza do mundo e as finalidades da vida, e buscar soluções para problemáticas sociais que enfrentavam.

Alguns elementos como matemática, filosofia, ciências, literatura, arte como expressões da subjetividade humana, só passaram a ter valor, e alguns a existir, nesse período da civilização grega.

A escrita data de época ainda mais antiga com os sumérios e egípcios. Os Sumérios na Babilônia criaram a escrita cuneiforme, servindo socialmente à elaboração de leis e contabilidade. Os egípcios criaram os ideogramas, precursores do alfabeto, servindo para indicar objetos desejados. Nos dois casos, objetos visíveis como: animais, água, sol, alimentos, etc. Eram comuns nos desenhos dos povos primitivos.


Escrita Sumérica - Site: Toda Matéria

A Grécia Antiga teve encontro de diferentes culturas da época. Chama atenção os primeiros escritos que marcaram aquela época, que alimentaram o imaginário humano. As histórias escritas nas obras de Homero, como da Ilíada e da Odisséia. Homero que na visão de muitos autores não existiu, sendo uma obra de diversos poetas da época, organizadas pela acunha do epônimo Homero.


"É preciso admitir, no entanto, que em Homero a religião não é muito religiosa. Os deuses são completamente humanos, só diferindo dos homens por serem importais e dotados de poderes sobrenaturais." História da Filosofia Ocidental - Bertrand Russell - 1932

Essa capacidade imaginativa humana, dentro do contexto histórico/cultural que propiciou a ascensão da civilização grega, nos colocou nos trilhos do conhecimento que dispomos hoje. O advento da Filosofia e Ciência foi, e ainda é, fundamental para a nossa história.

O conhecimento não se faz sozinho, diversos fatores contribuem para sua elaboração, compartilhando o comum da necessidade de uma pessoa para interpretar e articular ideias, e o mais importante, sua transmissibilidade, ou seja, as condições possíveis para educação.

O animal humano, assim como toda biologia, é um ser histórico. Conhecer o passado, nos ajuda a nos situar no presente, e direcionar ações em projeções imaginárias de uma representação futura pautadas não somente no achismo.

Na atualidade, tende-se a descartar o passado, como se os dados e a capacidade de processamento resumisse o funcionamento real. Logo agora, que essa capacidade deveria nos ajudar. É a busca ignorante de excluir o animal humano, da própria humanidade.

Nossos dias estão contados?


"Assim consideramos os que são chamados de selvagens e semisselvagens, cuja vida psíquica tem especial interesse para nós, se nela pudermos reconhecer um estágio anterior e bem conservado de nossa própria evolução." Totem e Tabu - Sigmund Freud - 1913


Obras recomendadas:



Autor: Matheus Guimarães Gomes Rangel - Médico - R3 Psiquiatria SMS Rio de Janeiro - CRM-RJ: 5295376-8

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